de natal

"Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte "

poetinha

domingo, 2 de abril de 2017

queda (2)

Hey you,

- Saia de dentro de mim.
- Nunca estive.

Com isso, percebeu-se do fim. Uma vida arraigada no não existir. 

A negação da soma, sempre foram divididos.

"juntos permanecemos, divididos caímos"

Juntos nos construímos com planos impossíveis.
Juntos criamos devaneios.
Juntos crescemos
Divididos nos magoamos.
Divididos nos contradizemos
Divididos nos separamos.

Divididos de mágoa, de raiva, de amor. 

Juntos de lágrimas.
De amor.
Amor?

A carne permanecia unida, os corpos teimavam em juntar-se. 

Não conseguiam separar.
 Quando juntos, clamavam pelo suor um do outro.

- Você pode amar outros, mas trepar, só trepa comigo.
- Seu filho da puta, me fode.

E assim, só assim, conseguem permanecer unidos.
Mas após o gozo .... porque o gozo sempre chega?
Para lembrar da divisão. 

Lembrar que a permanência nunca ocorre
. No fim, sempre a queda.

a queda
a divisão
o adeus

domingo, 26 de março de 2017

ao universo

Eu sinto teu cheiro impregnado
dentro de mim
na minha cabeça
no meu corpo
na minha alma
no meu coração.

Dos caminhos tortuosos e mapas que rasgamos. Traçamos o nosso caminho.
Das lágrimas de adeuses, dos laços que criamos, dos amores que cultivamos. Nos encontramos.
Da vida que insiste em levar os afetos, em esfriar os amores, em nos obrigar a renascer. Nos absorvemos.
Do universo que as vezes nos coloca em sintonia com a aleatoriedade. Estamos aqui.
Do suor, do gozo, da língua, da pele, do amor, de sermos um. Ficou o gosto, afeto, vontade.
serendipity

"Eu queria mais de ti, do teu gosto, do teu toque, do teu suor, do teu cheiro. Desde que eu te encontrei eu canto mais, rio mais, entendo mais. Eu quero você, mas não pra mim. Eu quero ser de ti, mas não ser tua. Eu quero que a leveza do vento nos toque os cabelos, que as ondas do mar sejam pano de fundo pro nosso riso. Eu quero que a vida te seja leve, nos seja leve. E que o universo nos permita compartilhar um pouco disso. E não precisamos da vida toda, nem de tudo um do outro. Mas o suficiente pra nossa alma ficar impregnada de sentidos, símbolos e significados de experiências, de companheirismo e sim, de amor."

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

o abusivo

"Til you're standing in my shoes
I don't wanna hear a thing from you"

ele nunca ousou.



O homem que não entrava no mar. O prescrutava com afinco, analisava cada detalhe com o seus olhos atentos de julgamento. Com o budismo limitador de liberdade, buscava o caminho do meio que passava por cima dos anseios dela. Amava o seu poder. O poder que a palavra fornecia, capaz de cercear, matar, fazer sofrer, definhar.
Do poder abusava.
O abusivo.

Jogava com a culpa dela, com o prazer de ver o escorpião arrancar sua própria vida despejando seu veneno ao nada.

"Você nunca será nada melhor, do que ter o prazer de ser minha."

"A sua vida foi dada por mim."

Ela não via sentido. Obedecia. Acreditava. Enganada pela culpa do abuso.
Um a roubou a coragem, o outro a alma.
Pulava conforme a vida a exigia, corria conforme a existência a obrigava. Respirava nos tons que ele mandava. Comia no formato que ele a coagia. Uma vida que tinha como base a coerção. O medo.

"Eu já morri, eu já sofri, eu apanhei, abusaram de mim. Tanto. Mais do que um corpo de um metro e sessenta e três poderia permitir, mais do que um coração fraco, um estômago gasto e um sistema respiratório defeituoso poderia suportar. Os cortes eu levarei sempre comigo. Metafóricos. Físicos. Escondidos. Você nunca me viu. Você enxergou o que queria. Você nunca viu os cortes que a ansiedade da culpa me fizeram causar em mim mesma. Na minha pele. Na minha nojenta pele. Que suportou aqueles toques horríveis, que suportou a culpa, o suor, o medo ... que suportou você. Vocês. Os abusadores."



o abuso.

Depois de ter quase morrido tantas vezes, resolve surgir.
E de fato morreu. Quando exposta ao toque indesejado, a lambida asquerosa, ao calor não cedido, mas sim roubado.
Ali roubaram sua alma. Mataram sua Vida. A coragem. A coragem sagitariana que tanto amava.
Tudo que mais prezara lhe foi roubado.
O abuso.
Da confiança, do afeto, de si.
Provocador de culpa, uma culpa tão injusta. Uma dor injusta. Mas, afinal, quais dores são justas? A vida roda, machuca, sensibiliza, nos culpa e só nos resta viver. Vivemos?
 Ela se arrastava. Lamentava. Faltava ar. Ansiedade. Medo.

Da coragem que saltava.
Ao medo que não sai do chão.


"se eu soubesse como dói a vida, essa dor tão doída não me doía assim."

dói.

domingo, 18 de dezembro de 2016

thelema

A hora do mundo é você.
Empresta-me o teu amor,
que um dia foi meu
e deixa eu me amar por ti.

Pois o tempo passa.
os sinos dobram
mas a cada dia eu sou você.
e você, você, sempre será eu.

Meu amor, nós somos do universo.
ó, meu bem, nós somos o Universo.
Porque o amor não morre
mas sim ecoa e transpassa na humanidade.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

a gosto.

Com o corpo banhado de tantos toques e coração isento de qualquer calor.

Com os cabelos aos ventos de agosto. E as lágrimas congeladas, presas em um peito que há muito se nega a sentir. Chega à conclusão que o coração talvez nem exista mais. Só um sorriso de ternura bem servido à enganar aos que lhe apetecem.
A puta nunca esteve tão bem treinada.
Bem vivida.
Bem sentida.
Agora sim, uma puta.

Da doce fumaça surge os peitos, surgem a boceta.
Dos lugares aleatórios, surgem os paus, surgem a força.
surge o espelho.
O espelho do sexo há tanto negligenciado e agora vivido com toda a vivacidade que seu corpo, que parece ter diminuído, conseguiria aguentar.

A menina.
Ele insiste em me chamar de menina.

A rocha
Ela acha engraçado, mas não vê as rachaduras e flores encobertas.

A linda
Só mais vítima do pobre engano surgido em um sorriso que não se sabe a que se mostra.

Com o coração cheio de nada.
vários nadas.
Que refletem a incansável busca por algo que amenize a dor de no fundo só ser mais alguém.
Uma busca cheia de desencontros
De amores
De encontros
Crescimentos.

Mas no fim, todo mundo sabe: dá em nada.

vida que segue.
sigamos!

quarta-feira, 20 de maio de 2015

complet(ação)

E foi atrás de mais um encontro com o nada.

Sexo, sexo, sexo.
Um noite preenchida de coisa alguma, cheia de esbarrões com ninguém, repleta da delicadeza do vazio.
Recebendo tudo que podiam dar, bebendo de todos os líquidos, engolindo o mundo da melhor forma que podia.

- O que você quer?
- Eu quero que você mande em mim. Eu quero ... que você finja que se importa e me inunde de qualquer coisa que possa dar.
- Eu só tenho coisas sujas, menina.

E foram.
Não transaram, não foderam, nem muito menos fizeram amor ...
Completaram-se.
E foram
Um do outro
E foram
Embora

para o vazio, para a memória.
onde as coisas são sempre mais bonitas